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Tapau√°: 50 anos construindo Igreja e Sociedade
Março 2016






Luis Busnadiego durante sua etapa de mission√°rio em Tapau√°.

Testemunhos pessoais: Luis Busnadiego

Nasceu aos 28 de maio de 1958 em Tordehumos (Valladolid, Espanha), o dia da eleição Juan XXIII. Após ser ordenado sacerdote, em fevereiro de 1983 chegou como missionário agostiniano recoleto a Brasil. Hoje depois de ter deixado a vida religiosa vive em Arroyo de la Encomienda (Valladolid, Espanha).

Fui √† miss√£o porque os superiores me acharam capacitado para isso. Fui voluntario e com muita vontade; estava disposto a tudo. A miss√£o sempre necessitava de pessoal. Parece ser que os superiores, desde faz um tempo, est√£o mais mentalizados de enviar mais meios humanos √† Prelazia. Havia ouvido de Tapau√°, mas sempre se faz uma ideia fantasiosa das miss√Ķes. O bonito √© meter-se e estar ombro a ombro com esse povo simples. Nossa chegada levou alegria: dois religiosos mais! Mas nos custou e nos tocou entrar sozinhos. Em Tapau√° continuei as diretrizes marcadas: ver, pouco a pouco, ir entrando na engrenagem do Diret√≥rio Pastoral da Prelazia.

Tapauá era uma cidade alegre, onde pouco a pouco me adaptei. Depois de duas semanas meu companheiro, Nicolas Pérez-Aradros, foi a visitar as comunidades ribeirinhas. Tapauá era um fluxo de gente, os do interior viajavam constantemente para assentar-se na cidade.

Antes de visitar as comunidades se avisava pela Radio Rio Mar de Manaus quando chegar√≠amos. Permanec√≠amos um dia. Ao anoitecer o primeiro contato, janta e prepara√ß√£o para o dia seguinte; passada a noite, cedo as inscri√ß√Ķes, muito importantes, pois para muitos deles seria o √ļnico documento (do batizado, crisma, ou casamento) e o guardavam com muita responsabilidade, numa garrafa bem tapada para que o papel n√£o se estragasse.

Realizadas as inscri√ß√Ķes e os certificados, se passava √† Celebra√ß√£o da Eucaristia e dos Sacramentos. Terminada a celebra√ß√£o se almo√ßava na comunidade. Cada um colocava o que tinha e, terminado o almo√ßo, volta ao barco para sair para a comunidade seguinte e chegar ao fim da tarde.

Na cidade o trabalho era diferente, sempre em constante atividade. Os sábados e domingos eram mais relaxados. Todos os dias tínhamos uma jornada completa: acordar e uma vez asseados, ter rezado e tomado café, se iniciava o atendimento do pessoal que passava pela paróquia. Caso puder sair, ia visitar algumas pessoas; se não tinhas aula, pois até a hora do almoço; ou almoçava nas casas onde me encontrava e assim palpava como era a realidade de algumas famílias. Costumávamos ter aulas pela manhã e pela noite. Às seis da noite era a Missa ou as Novenas nas casas ou comunidades dos bairros. No meu tempo somente existia a comunidade de Santo Agostinho.

A Celebra√ß√£o Eucar√≠stica di√°ria era na igreja matriz, Santa Rita. Aos domingos celebr√°vamos pela manh√£ na matriz, para crian√ßas, e √†s 18:00 horas na capela de Santo Agostinho e √† noite √†s 19:30 horas novamente na matriz. Com as aulas e com as celebra√ß√Ķes ia conhecendo o povo; era o trato do dia a dia.

Naquele tempo se fez a abertura de um picadão para a estrada rodoviária, trabalho feito por um grupo de pessoas mandadas pela Prefeitura. Pretendiam iniciar uma estrada para poder conectar mais rápido com Manaus. Ficou na intenção.

Mesmo que sempre se pretendia separar, a Igreja tem tido boa relação com as autoridades civis, ajudavam e colaboravam com as atividades. Destaco as festas da padroeira. Nove dias de festa, de muita atividade para angariar fundos para as atividades paroquiais.

Onde havia a escola paroquial construímos o salão paroquial. Também se formou o grupo de jovens e o grupo dos Morcegos, que participou no campeonato de liga de futebol local. Suas façanhas aparecerão algum dia à luz, porque é história. Participamos na criação do regulamento do campeonato de futebol tapauaense.

Nossa pastoral principalmente era estar, estar com eles; e com os meios que contava a paróquia ajudá-los, aconselhar, encaminhar. Penso que nos viam como pastores que cuidávamos e protegíamos o rebanho. Foram anos muito satisfatórios. Quando o trabalho duro se faz com gosto, por isso deixa de ser duro?

√Č verdade que quando ficava sozinho na cidade eram muitas coisas pra uma pessoa, mas... N√£o sei se era a juventude, a atitude, o empenho, a vontade, a dedica√ß√£o, a entrega, chegava a todos os lugares e atendia a todos e n√£o passava nada. O Evangelho se fazia realidade: quem deixar m√£e, irm√£o... ganhava cem vezes mais. Chegava a todos os lugares e nunca me cansava. Logo ia a Manaus a descansar e atendia a umas par√≥quias e v√°rios grupos de jovens. E √© o que me passa agora, n√£o sei parar, sempre metido em todos os lugares. Sou assim ou me fizeram assim?

A principal prioridade, era n√£o perder o contato com as comunidades ribeirinhas e saber que semana a semana faziam suas reuni√Ķes e suas celebra√ß√Ķes com o roteiro que se lhes enviava. Na cidade, est√°vamos atentos ao dia a dia da programa√ß√£o pastoral da par√≥quia.

Quando v√≠nhamos para Espanha de f√©rias, os outros religiosos nos recebiam estupendamente, com muito interesse pela miss√£o e com muita vontade de ir por l√°. Perguntavam pelos companheiros, a situa√ß√£o dos pais. Em minha fam√≠lia, o apoio de sempre mas que lhes pesava; em definitiva me queriam ter mais perto. Ao pessoal da minha cidade lhes encantava a alegria das celebra√ß√Ķes, das Eucaristias e a participa√ß√£o que tinha nelas. Ainda hoje surgem coment√°rios bons daquela minha √©poca. O apoio era abundante, o melhor era trazer as inquietudes de l√°, e eles se comprometiam em apoiar os projetos que t√≠nhamos na miss√£o.

A primeira impressão que tive de Tapauá é que o pessoal era mais alegre dos que tinha conhecido até esse momento. Num principio parecem preguiçosos, mas é sua forma de vida, com o seu espírito religioso, era realmente cristão, deixando tudo nas mãos de Deus. Assombra sua conformidade com a situação e afrontar com a maior naturalidade todas as coisas. Não são preguiçosos, são pessoas que vivem a vida tal e como a natureza, que os rodeia, ensina.

A cidade estava bem organizada, mas o maior problema era a carência de meios. O médico e as enfermeiras faziam maravilhas com poucos meios que tinham no hospital.

Para minha vida religiosa Tapauá foi o campo onde cumpri objetivos como religioso e sacerdote; pude realizar meu serviço e colocar meus carismas ao serviço dos demais. Sempre os que menos têm dão mais. Não sei se tem sido os anos de sacerdote ou Tapauá, mas vivo a vida de outra maneira. Estou muito longe do espírito amazonense, mas serve para meu dia a dia, de verdade.

Quero aproveitar esta oportunidade para agradecer a todas aquelas pessoas que foram muito pr√≥ximas a n√≥s e na √©poca n√£o tive a oportunidade de agradecer: a todos eles meu “muito obrigado”. Obrigado por fazer-me ver as coisas desde outro prisma. Guardo muitas e muitas lembran√ßas que daria para escrever muitas p√°ginas. Mas eu diria: que s√£o cinquenta anos? Um suspiro, um amanhecer ou um por de sol sobre o Purus; s√£o, Tapau√°, olhando o teu redor, o in√≠cio de uma vida.

Perdi amigos, mas graças a Deus continuo tendo notícias de Tapauá, mesmo de longe continuo sofrendo, por suas coisas, e continuo alegrando-me de seus avanços. Assim são as coisas. Muito agradecido a todos.





Testemunhos pessoais
Jo√£o Cruz Vicario


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