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Tapau√°: 50 anos construindo Igreja e Sociedade
Março 2016


Nicolas Pérez Aradros é na atualidade prior provincial da Província de Santa Rita. Celebração em Franca, São Paulo.



Nicolas Pérez Aradros em Tapauá, quando era missionário, em visita a zona rural.

Testemunhos pessoais: Nicolás Pérez-Aradros, atual prior provincial de la Província de Santa Rita

Nasceu em 1956 em Arnedo (La Rioja, Espanha). Ao finalizar sua formação como agostiniano recoleto e sacerdote, foi destinado a Tapauá. Ficou de fevereiro de 1981 a fevereiro de 1988.

Fui enviado √† miss√£o de L√°brea pelo prior provincial Juaqu√≠n Uriz. N√£o fui volunt√°rio, mas fui feliz, mesmo que um pouco temeroso pelo desafio que supunha. Havia escutado a fala de alguns mission√°rios que passavam pelos semin√°rios onde nos educ√°vamos. Tinha um pouco de “medo”, pois a miss√£o parecia dif√≠cil. Mas fui muito animado e contente, era jovem e queria ser mission√°rio. Naquela √©poca foram enviando bastantes jovens, com dois religiosos por comunidade. Meu primeiro prior em Tapau√° foi Cenobio Sierra, quem tinha sido meu vice-mestre de novi√ßos.

Quando cheguei fui aprendendo com os mais experimentados, em meu caso com frei Cenobio. O mais significativo eram as desobrigas, mas já naquela época se tinha iniciado a dar mais valor à formação dos agentes de pastoral, na cidade e ao longo dos rios.

Em nossa √©poca, com ajuda de Alemanha, constru√≠mos o Centro Comunit√°rio onde estava a antiga escola Dom Jos√© √Ālvarez e as salas de catequeses ao lado da igreja matriz. Foi muito reconfortante ver aos l√≠deres leigos crescer espiritualmente e assumir suas responsabilidades.

Havia naquela √©poca uns 5.000 habitantes na cidade. As comunidades do Purus e seus afluentes (Cunhu√£, Tapau√°, Abufari, etc.) eram muito numerosas e populosas. Depois assistimos ao fen√īmeno da migra√ß√£o √† sede urbana de Tapau√° e outras cidades como Manacapuru e Manaus.

Muitas vezes ficava só um frei, pois o outro ia de viagem pastoral ou a Manaus para ajeitar papeis. Assumi com entusiasmo as viagens pelos rios, a catequese e o grupo de jovens.

A vida era muito tranquila. O mais destacado era a festa anual de Santa Rita, com nove dias de novena e festa. Nos tr√™s √ļltimos dias a cidade se animava com vendedores ambulantes e muito pessoal de fora. Uns dias antes de uma destas festas, caiu um teco ‚Äď taxi a√©reo - com o irm√£o marista Nilson e outras tr√™s pessoas que vinham desde Manaus. Foram dias de ang√ļstia. Fomos com o barco para ver se os encontr√°vamos no mato, mas n√£o os encontramos... A tens√£o foi grande, ate que apareceram vivos, com a gra√ßa de Deus. Com isso a festa foi maior!

Outra das coisas que marcavam a vida eram as elei√ß√Ķes, principalmente para prefeito. O povo fervia de partid√°rios de um e de outro. Os que viviam no interior vinham para a cidade, se compravam e vendiam votos, etc. ‚Ķ Era um salve-se quem puder! Uma mulher, Ros√°lia, conseguiu ser vereadora porque seu marido arrancava os dentes dos eleitores sem cobrar nada.

Era gente simples, amável e acolhedora, tímidos para com o missionário quando chegava, depois pegavam confiança e eram muito familiares. As casas, pobres, estavam muito limpas. Acolhiam-nos o melhor possível, dentro de suas possibilidades; nas comidas ofereciam o melhor que tinham.

O prefeito, o delegado de pol√≠cia, o frei‚Ķ eram os “chefes” do povo. N√£o t√≠nhamos nem m√©dico nem juiz. A maior parte do povo era funcion√°rio p√ļblico. Isto era um problema, pois muitos prefeitos ficavam com o dinheiro e atrasavam os sal√°rios; isto gerava uma grande crise. Os comerciantes eram uma classe mais “forte”, e depois estavam os compradores de madeira ou os peixeiros que vinham de Manaus, a capital do Estado.

Nossas prioridades pastorais eram fortalecer as Comunidades Eclesiais de Base, a formação de líderes, a catequese e a juventude. Começamos a investir na formação dos agentes de pastoral, ao que dedicamos muito tempo e atenção, sem esquecer a dimensão social.

A igreja estava organizada ao redor da matriz. Havia uma comunidade (Santo Agostinho) num dos bairros e tentamos criar outras novas comunidades na cidade. No interior t√≠nhamos as Comunidades na beira do rio Purus que visit√°vamos todos os anos. E os grandes afluentes, como o Cunhu√£ e Tapau√°, que em sete anos visitei duas vezes somente. Depois, no meu √ļltimo ano assisti ao fen√īmeno da migra√ß√£o e estes afluentes se esvaziaram completamente.

Nosso grande desafio era a expansão dos evangélicos, pela cidade e no interior, e que foram tomando muito espaço nosso. Muitos católicos se fizeram evangélicos, que faziam um proselitismo bárbaro, e a presença de pastores era muito maior que a nossa.

Nos anos 70, a imagem da miss√£o de L√°brea se centrava como uma miss√£o dif√≠cil pela selva, os rios, cobras‚Ķ J√° em minha √©poca, nos anos 80, parecia dif√≠cil “transmitir” aos demais religiosos a dimens√£o eclesial da Prelazia, talvez porque era una realidade muito diferente de qualquer outra. T√≠nhamos ficado mais no aned√≥tico e sempre tive a impress√£o, espero que somente tenha sido impress√£o, de que havia certa indiferen√ßa sobre a viv√™ncia eclesial na Prelazia.

Antigamente, entre os religiosos se ouvia dizer “por baixo” que mandavam √†s miss√Ķes quem “n√£o servia para estudar”. Hoje quando me pergunta por que vim para Brasil costumo contar essa piada. Mas constantemente agrade√ßo a Deus a gra√ßa de haver servido durante sete anos em Tapau√°. Foi minha grande “universidade”, onde aprendi e cresci como crist√£o, consagrado e presb√≠tero. Foi uma experi√™ncia muito importante e muito feliz para mim.

Sinto-me profundamente unido ao povo de Tapau√°; agrade√ßo a Deus estes cinquenta anos de par√≥quia. Rezo por eles para que Deus continue aben√ßoando-os com sua gra√ßa. Tamb√©m aproveito a oportunidade para agradecer esses anos que estive com eles e que foram muito felizes. Como dizemos aqui no Brasil, estou com “saudades” deles e os levo no meu cora√ß√£o.




Testemunhos pessoais
Luis Busnadiego


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