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Tapauá: 50 anos construindo Igreja e Sociedade
Março 2016


Jesus Moraza, já bispo, cortando o grande pastel de celebração de 50 anos da Paróquia de Santa Rita em Tapauá.


Jesús Moraza, com umas crianças na residência da comunidade de Tapauá.


Moraza frente ao “encontro das águas” do Purus e o Ipixuna.


Moraza nas primeiras reuniões com ribeirinhos na zona rural.

Testemunhos pessoais: Jesús Moraza, atual bispo da Prelazia de Lábrea

Jesus Moraza Ruiz de Azúa (Araya, Álava, Espanha, 1945) é agostiniano recoleto e bispo da Prelazia de Lábrea desde 1994. Chegou em Tapauá com somente um ano de ordenado e cinco de religioso, e ali residiu durante oito anos em duas etapas (1970-1975 e 1987-1989); além de, entre 1975 e 1978 formou a equipe de atenção do Purus e visitou as comunidades da área rural. Tem sido vigário paroquial, pároco, professor, diretor da Escola Marizita e das escolas rurais, colaborador na área sanitária e primeiro organizador das comunidades de base rurais.

Fui para a Prelazia de Lábrea junto com outros seis voluntários. Encontramos uma extensão de mais de 230.000 Km2 (quase a metade de Espanha) atendida por apenas quatro sacerdotes, cinco irmãos maristas na cidade de Lábrea e cinco Missionárias Agostinianas Recoletas, dedicadas ao ensino também em Lábrea. Essa necessidade de pessoal motivou a carta do prior geral Luis Garayoa a todos os religiosos em 1969, pressionado pela Santa Sé. Eu era professor de Ensino Fundamental no colégio Santo Agostinho de Valladolid (Espanha). A leitura da carta do geral me impressionou profundamente e me senti chamado. Três dias depois me ofereci voluntário com a expectativa de responder da melhor forma possível, ajudando a cobrir aquela necessidade. Estava de coração aberto para fazer o que fosse para servir ao povo em todos os aspectos da pessoa. Tapauá, no final do ano 1970, teria uns 1.000 habitantes no centro urbano e uns 7.000 na zona rural. Chegamos juntos, Francisco Piérola, Miguel Angel González e eu.

Meu conhecimento da missão era muito superficial, apenas de acontecimentos extraordinários como a morte heroica do missionário Jesus Pardo, salvando umas crianças que se afogavam no rio Purus, que marcou meu ideal missionário; e alguns relatos de nossa revista de missões com anedotas, principalmente de Isidoro Irigoyen. De Tapauá, em concreto, sabia menos ainda.

Logo me vi envolto nas necessidades de saúde, educação e outros serviços assistenciais. Cheguei a atender com Saturnino Fernandez o posto de saúde de Tapauá, e servi como professor e diretor de uma das escolas. Incentivamos o esporte e iniciativas de trabalho comunitário, como o clube de mães. Pode ser que deixei muito a desejar quanto à realizações pastorais e vivencia religiosa, mas acho que o Senhor também tem realizado boas coisas comigo. Ele seja louvado!

Um dos fatos mais notáveis foi a chegada dos Irmãos Maristas para dirigir o Ensino Médio, que iniciamos um ano antes, com algumas professoras de Manaus. Aceitei ser diretor da escola até que chegassem, e depois colaboramos como professores.

O povo conseguiu um posto de saúde pré-fabricado que foi dirigido por Saturnino Fernández onde ambos atuávamos frente a algumas enfermidades. Não havia médicos.

Mas a maior parte do tempo foi dedicada à pastoral e as visitas aos ribeirinhos do Purus e seus afluentes, como o Tapauá, Cunhuã, Jacaré, o Itaparaná-Ipixuna. Isto exigia vários meses do ano e correspondeu quase exclusivamente a mim, por ser o mais jovem. Algumas comunidades indígenas próximas nos exigiam maior cuidado pelos conflitos frequentes entre eles e o resto da população; éramos intermediários por contar com a confiança de ambas as partes.

Depois de cinco anos na missão desfrutei das primeiras férias. Na Espanha acho que despertávamos certa admiração por nosso trabalho tão diferente, numa região adversa, e chegamos a despertar o entusiasmo pela missão e a colaboração com a mesma. Surgiram vocações para Missão e ajudas econômicas. Em parte isto se tem mantido, mas me dá a impressão de que esse entusiasmo foi esfriando. Nossa força está no Senhor que nos chama.

Minha família tem me apoiado sempre, pois tem me visto trabalhando diretamente entre os mais pobres. Acredito que eles gostam de me ver assim, embora também gostariam de me ter mais perto.

Temos recebido ajudas de nossas casas religiosas e outras instituições para sustentar projetos sociais, principalmente os Centros Esperança desde o ano 1994. Anteriormente as ajudas estavam mais dirigidas para os barcos, carros e instalações, assim como combustíveis, alimentação, etc.

Na sua maior parte, os habitantes da paróquia, principalmente os ribeirinhos, são muito simples, sem preocupações materiais, com muita resistência às adversidades, em sintonia com a Natureza exuberante, sedentos de conhecimentos de todo tipo, acolhedores, dispostos para ajudar a quem precise. Uma das coisas que cativou-me foi a boa acolhida do povo e sua alegria, ainda em situações de grande dificuldade. Sua receptividade e solidariedade para comigo e outros em momentos de dificuldade sempre tem sido cativante.

Nós não tivemos dificuldades em nos relacionar com eles, e junto com eles, reorganizar os serviços pastorais e sociais: catequese, Apostolado da Oração e Legião de Maria, que até hoje continuam, junto com muitas outras pastorais mais atuais. Também no desenvolvimento social temos contado com sua estreita colaboração.

Meu débito com Tapauá e que lá tenho aprendido a viver de jeito simples, sem precisar tanto assim para ser feliz, como o mesmo santo Agostinho dizia: “É melhor precisar de pouco do que ter muito”. Assim mesmo é para a maioria de nosso povo, principalmente para os ribeirinhos. Tenho aprendido a reconhecer minhas fraquezas e ser bem mais compreensivo com as fraquezas dos outros. Isso faz me sentir melhor como religioso, me faz perseverar na minha vocação. Tenho também aprendido a dar valor aos leigos, especialmente nas atividades pastorais, e contar mais com ele em tudo aquilo relacionado ao bem comum. Hoje nas nossas paróquias temos mais de 3.000 leigos comprometidos com os trabalhos pastorais e sociais.

Nesse aniversário, eu pediria aos fregueses de Tapauá que não percam seus valores cristãos, transmitidos de pais para filhos e pelos missionários que com eles tem convivido durante tantos anos e em circunstâncias tão difíceis. Que não se deixem enganar pelas falsas promessas de prosperidade da sociedade de consumo e de algumas igrejas recentes que se aproveitam da confiança e da boa acolhida deles. Que saiba colocar limites aos filhos e lhes prevenir frente às dificuldades futuras com maior facilidade, sem cair na dependência da bebida ou das drogas.

E que reconheçam e mantenham a alegria do Evangelho de Jesus com suas atitudes de serviço e o presente de suas próprias vidas em favor de quem mais precisa. E, lógico, que sempre contem com minha união a eles no Senhor!


Testemunhos pessoais
Enéas Berilli


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