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Tapauá: 50 anos construindo Igreja e Sociedade
Março 2016

Uma das “cruzadinhas”, a primeira atenção a infância, nos anos 60.






Centro Esperança de Tapauá.

Historia e atualidade da Paróquia de Santa Rita: As prioridades pastorais

O amanhecer do século XXI

As Assembleias de 1991 e 1995 continuaram com os compromissos alcançados nas anteriores, mas uma vez que o trabalho na zona rural contou com um planejamento continuado e as equipes de trabalho bem formadas, outras necessidades surgem na Igreja. As mais concretas foram a família, a juventude e a infância. Os anos 90 foram de grande esforço por levantar uma estrutura que salvou as vidas de muitas mães e bebês, assim como pelo encontro com a adolescência. O desejo de uma atenção mais concreta à família foi entrando lentamente.

Adolescência e juventude

A pouco tempo de chegar a Tapauá, em 1964, os Agostinianos Recoletos criaram o movimento de Pequenas Cruzadas com meninas, depois de sua primeira comunhão. Dezenas delas guardam com carinho a pequena fita que as identificava. Foi o primeiro trabalho com a infância e juventude realizado desde um critério evolutivo.

Em 1965, os religiosos relatam um dos grandes problemas da sociedade de Tapauá que perdura até hoje: a difícil passagem da infância para a adolescência, em que muitos tomam decisões que depois terão consequências graves, durante toda sua vida por falta de referentes sociais positivos. Passados os fervores da primeira comunhão e com a puberdade, os adolescentes “são vítimas da consequência funesta dessa idade e se afastam da companhia dos amigos de ontem; (…) se faz necessário criar para esses meninos outro ambiente que os tire do meio infantil e os coloque em clima em que se sintam bem”.

Um dos primeiros parques infantis de Tapauá foi financiado pela Prefeitura e construído pelos religiosos, concretamente por Enéas Berilli. É um dos poucos espaços públicos de jogo e diversão, junto com os poliesportivos dos colégios construídos com fundos públicos a partir de 1970. Em 1973 se consegue, através da Legião Brasileira de Assistência, algumas máquinas de costura, fornos, um motor para moer mandioca, assim como material esportivo. É uma primeira tentativa de articular um trabalho de formação Profissional com jovens. Mas durante mais de 30 anos, desde a fundação da cidade, os adolescentes e jovens estiveram sem espaços próprios. Nos anos 90 a preocupação da Igreja se materializará em novos grupos e serviços a crianças e adolescentes que hoje perduram.

A Infância Missionária: mesmo que se supõe que atendem às crianças, os assessores são adolescentes e jovens que assumem uma responsabilidade importante e evangelizam as crianças por meio de atividades infantis, jogos, oficinas. Os assessores, por sua vez, recebem formação e, além de ocupar seu tempo livre com os menores, apóiam-se solidariamente entre eles.

A Pastoral da Juventude: nos anos 90 se desenvolveu o grupo de Pastoral da Juventude. Atividades específicas, mistura de lazer sadio e de educação em valores, promoção da cultura e das aptidões pessoais como a música e, nos últimos anos, retiros especiais durante os Carnavais na casa de exercícios Cassiciaco do Lago Jacinto… Tudo isso lhes oferece um âmbito de crescimento desde a alegria e a participação.

O Centro Esperança: em 1998 chegou a Tapauá uma ideia que a partir de 1994, se colocou em prática, com êxito em Lábrea. O planejamento surge porque os adolescentes e jovens dos 12 aos 18 anos tem uma jornada escolar de apenas cinco horas, e as dezenove restantes do dia estão sozinhos, sem referencia de adultos, sem espaços apropriados e numa zona crucial para o tráfico de drogas. O Purus é uma das vias entre Bolívia, Peru e Brasil com menor vigilância.

A mistura destes ingredientes se traduzia em delinquência, dependências químicas, gravidez de adolescentes, enfermidades de transmissão sexual, abuso e exploração sexual comercial, trabalho infantil e escravo, abandono escolar. Ante isto, a Igreja, não poderia ficar acomodada.

O Centro Esperança oferece alternativas de aprendizagem semi profissional, merenda e atividades lúdicas. É uma atividade pastoral não proselitista, aberta a qualquer jovem e adolescente, seja qual seja sua religião. Nasceu nas salas de catequese anexas a Igreja Matriz. Mas a partir de 2005 funciona em instalações próprias. Graças a diversos projetos sociais e ao financiamento conseguido pela Família Agostiniana recoleta, nos colégios dos Agostinianos Recoletos em Espanha, familiares dos religiosos, e as ONGs agostinianas recoletas Haren Alde e A Esperança, se conseguiu levantar um complexo com salas, cozinha, refeitório, espaço verde e poliesportivo. Também se pretendeu uma descentralização de estruturas dentro da cidade de Tapauá, pelo qual se estabeleceu no bairro do Açaí, um dos mais populosos e de menor renda per capita do município, no entorno da comunidade de base Santo Agostinho.

Os alunos do Centro Esperança devem estar matriculados na escola. Nos dois turnos, de manhã e de tarde, o Centro oferece oficinas diversas a quase 150 menores de ambos os sexos. Dada a configuração da sociedade local, muitos deles não são católicos. Aprendem corte e confecção, música (teclado e violão), informática, reforço escolar, e se organizam esportes e atividades de tempo livre.

O Centro adquiriu o reconhecimento e o carinho da população. Sob esta premissa e ao ver que era uma obra mais que necessária em Tapauá, se conseguiu negociar com as autoridades locais apoio, em forma de pessoal; professores; coordenador; monitores em diversas épocas, tem estado, alguns deles como funcionários da Prefeitura. Para o material necessário nas oficinas e para algumas obras, a partir de 2001, se tem contado com o Governo do Estado de Amazonas.

Em 2009 se regularizou todos os monitores e professores como trabalhadores inscritos na Previdência Social com carteira de trabalho. O custo econômico era importante, porém assim deixavam de ser “voluntários” e as exigências pelo contrato trabalhista permitia normalizar oferta de oficinas e cursos. Se um voluntário falha, o problema é de difícil solução; mas um contratado tem obrigações importantes de horário, ser mais bem preparado e dar atenção esmerada. Talvez se perdesse parte da filosofia inicial do Centro, mas se ganhava em organização e em oferecer às crianças e adolescentes o que realmente se lhes promete: una formação, lazer e crescimento sadio.


Pastoral da Criança, que ahora abarca todo el municipio. Pesaje de niños para vigilar su grado de nutrición en la comunidad de Taquarizinho.

Encontro de Casais com Cristo (ECC). Entre seus trabalhos sociais, a distribuição de alimentos às famílias empobrecidas no Natal.

Gestantes e primeiros anos de vida

A Pastoral da Criança chegou à Prelazia de Lábrea em 1993. Atende gestantes e mães que tem dado a luz recentemente, assim com seus filhos de zero a cinco anos. Um religioso participou de um curso em Manaus para sua implantação na Prelazia. Dois anos depois, em 1995, já existiam cinco grupos de Pastoral de Criança na cidade de Tapauá, além de mais dois em comunidades rurais. Organiza-se com uma metodologia comum, usada em todo o país. É eficiente, salva centenas de vidas; também é simples e fácil de implantar.

Os voluntários formados, tem uma ficha personalizada de cada criança, onde se acompanha seu estado de saúde e mensalmente se controla o peso. Com a prevenção como principal arma, ensina às mães a controlar o crescimento das crianças e preparar alimentos existentes na localidade, baratos, mais ricos em nutrientes. Em Tapauá seu trabalho se tem estendido a toda a zona rural.


A Família

As Assembleias de 1991, 1995, 1998 e 2000 se referiram expressamente a uma das maiores dificuldades sociais de Tapauá: a família. A imensa maioria dos habitantes não indígenas chegou aqui pela exploração da borracha; eram quase exclusivamente homens; muitos analfabetos, num ambiente sumamente hostil e de pobreza.

Isso configurou uma sociedade machista onde as mulheres não tinham possibilidade de progresso. As relações humanas eram ocasionais e baseadas em necessidades primárias, mais do que afetivas e baseadas em projetos futuro. A família era uma entidade desestruturada, com abundância de mães solteiras abandonadas e com uma cultura da exploração da mulher no lar.

O alcoolismo e as dependências tem sido uma tradicional “saída” para uma vida sem sentido nem projeto de futuro. A mulher tem sido instrumentalizada e relegada à tarefa do lar e o cuidado das crianças. A porcentagem do abuso intrafamiliar era e é maior quanto menor é a comunidade isolada onde se mora. O abandono do lar e a pouca vontade de assumir as responsabilidades educativas e de cidadania dos filhos tem sido comuns ao homem.

O papel da mulher na sociedade ocidental, e mesmo na Igreja, tem variado com o tempo, assim como a compreensão de suas necessidades específicas. É relativamente recente considerar o aspecto íntegro da mulher e de suas possibilidades, como agente de transformação social, assim como de suas liberdades e direitos específicos. Num lugar como Tapauá, dadas as condições, ainda se está num estágio em que muito tem que avançar.

A Pastoral Familiar tem sido por isso uma prioridade desde os anos 90. As tentativas tem sido diversas e não sempre com o fruto desejado, pelo qual esta pastoral está numa situação muito atrasada em relação à Lábrea ou Canutama, que também iniciaram esta tarefa.

Quatro dados motivaram para que a Família fosse um dos centros de ação pastoral em Tapauá a partir de 1994. A Campanha da Fraternidade apostou pelo assunto com o lema “E a família, como vai?”; Pela primeira vez se refletiu, de uma forma aberta, sobre a situação da Família em todos os grupos pastorais. Os outros três dados foram de grande repercussão social: uma jovem que ficou entre a vida e a morte durante semanas devido a um aborto clandestino; o programa de esterilização gratuita a mulheres que se utilizou como um atrativo de campanha política; por último, esse foi um ano em que aconteceram menos casamentos sacramentais e houve uma forte diminuição de batizados.

Hoje em dia colabora nesta tarefa o movimento dos Encontros de Casais com Cristo (ECC). Em 2004 se fez o primeiro ECC em Tapauá com 30 casais participantes. É um movimento espiritual e social. Espiritual, porque as famílias refletem juntas sobre a Palavra de Deus, rezam, e se formam sobre o que é e o que se espera de um casal cristão. Social, porque a solidariedade é um dos eixos transversais da família como célula social, e por isso tem sido os encarregados, por exemplo, de organizar as campanhas solidárias do Natal e de promover uma solidariedade real e efetiva que dê testemunho de como atua uma família cristã.

Na penúltima Assembleia Geral da Prelazia, 2013, a Pastoral Familiar voltou a aparecer como prioridade principal na agenda pastoral. A família segue sendo uma das preocupações mais importantes, até porque o trabalho é árduo, os resultados não são os esperados num ambiente que ainda não é consciente de sua importância como núcleo social primário.



Outros aspectos de importância especial nos anos 90

A Assembleia Geral de 1998 assumiu uma prioridade que não parece da lógica das Assembleias anteriores, já que se centrou em alguns pontos mais gerais de caráter nacional, assinalados em Diretrizes Gerais de Ação Pastoral da Igreja no Brasil.

A Pastoral do Dízimo tem sido uma das maneiras que tem encontrado a Igreja do Brasil para sua manutenção. Trata-se de que as famílias colaborem economicamente com sua Igreja, para levar adiante todos seus serviços e tarefas pastorais. Para isso, se pede que, em torno à uma décima parte dos ingressos totais, seja destinado a financiar a vida eclesial, a partir das celebrações litúrgicas, da catequese ou ações de solidariedade.

As grandes obras de infraestrutura empreendidas pela Paróquia de Santa Rita têm sido financiadas em geral, desde o exterior, graças à solidariedade da Família Agostiniana Recoleta.

A respeito do funcionamento normal, o reforço da atenção à zona rural tem exigido também um elevado orçamento, que em muitos casos se tem financiado mediante projetos de cooperação exterior. Os outros gastos se financiam com 30% do exterior, 70%, com recursos do lugar, mediante o dízimo, e pelas festas anuais de Santa Rita. Em 1976 pela primeira vez se celebraram, estas festas em seu esquema atual, sob a direção de Miguel Angel González, agostiniano recoleto espanhol: grande procissão, novena anterior e eventos sociais e religiosos, para honrar a padroeira local. Participam da festa quase todos os habitantes, sejam ou não católicos. Durante a novena, cada noite tem um espetáculo promovido pela paróquia e pelos grupos pastorais, que trabalham duro, para oferecer comidas típicas, interpretar atuações musicais, teatrais ou de dança, e assim consegue financiamento para todo o ano.

Reportagem da televisão estatal de Amazonas sobre as festas de Santa Rita de Tapauá.


Estudios atuais da Radio Comunitária Educativa de Tapauá.

A Pastoral da Comunicação se tem centrado na tarefa da Radio Comunitária Educativa de Tapauá. A rádio é um meio público preferente, menos dispendioso de produzir, que outros, e chega facilmente às comunidades rurais: uma rádio funciona com uma simples pilha e acompanha com frequência a vida de solidão dessas comunidades. Nos finais dos anos 90 se implanta a Rádio Comunitária com emissão de música e avisos às comunidades rurais onde não existe telefone, nem serviços e correios, nem outra comunicação, a não ser as mensagens enviadas nos barcos.

A rádio tem passado por muitas dificuldades e tem contado com o apoio da Paróquia de Santa Mônica de Saragoça (Espanha), sensível com esta necessidade. Passou por um custoso processo de legalização, de equipamentos especiais que não se pode conseguir no Amazonas, e também foi ameaçada por alguns fenômenos meteorológicos, como os raios que obrigaram a gastar muito e reparações.

Em 2005 é trasladada a seu novo estúdio, na mesma praça Matriz. O que começou com uns poucos voluntários pondo música, foi abrindo-se à informação local e a programas pastorais específicos. Hoje se segue buscando um serviço de mais qualidade, mais profissional, e mais pastoral, para o bem de toda a sociedade.




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