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Tapau√°: 50 anos construindo Igreja e Sociedade
Março 2016



Primeiras reuni√Ķes de Jesus Moraza para a cria√ß√£o das comunidades de base na zona rural da par√≥quia de Tapau√°.

Historia e atualidade da Paróquia de Santa Rita: A presença na zona rural

As constantes desobrigas n√£o resolviam a viv√™ncia do catolicismo na zona rural. Uma visita anual para celebrar sacramentos n√£o oferece um acompanhamento e crescimento na vida de f√© nem um cuidado espiritual suficiente. Tr√™s fatos n√£o permitem aumentar essas visitas: primeiro, a falta de sacerdotes, que por responsabilidades religiosas e civis no centro urbano n√£o podiam faltar por longas temporadas; segundo, o escasso or√ßamento para uma a√ß√£o pastoral que queima toneladas de combust√≠vel, unido √† manuten√ß√£o e cuidado dos barcos. Em terceiro lugar est√£o as condi√ß√Ķes clim√°ticas, que reduzem a uns poucos meses a possibilidade efetiva destas visitas. Quando as √°guas est√£o altas muitas fam√≠lias se mudam para as zonas secas, v√£o ao ‚Äúcentro‚ÄĚ; quando est√£o baixas, a navega√ß√£o se torna dif√≠cil pela apari√ß√£o de pedras, ao mesmo tempo em que aumentam as distancias, porque n√£o se podem fazer furos entre os meandros.

A partir de 1976, o agostiniano recoleto Jesus Moraza come√ßa a implantar as ‚Äúcomunidades de base‚ÄĚ na zona rural. Busca as pessoas relevantes em cada comunidade, l√≠deres mais formados, mais capazes de unir as fam√≠lias e buscar solu√ß√Ķes quanto √† educa√ß√£o, sa√ļde, solidariedade frente a acidentes ou √©pocas de fome. Eles poderiam manter uma reuni√£o semanal que os integre como grupo humano solid√°rio, celebrar juntos a f√©, preparar atos comuns como as festas, solucionar o isolamento e a constante solid√£o. Por este trabalho, Moraza foi tamb√©m nomeado Inspetor de educa√ß√£o para a zona rural do munic√≠pio.

O bispo Florentino Zabalza incluiu a adapta√ß√£o deste sistema para toda a Prelazia como um plano de pastoral urgente. Se as comunidades cat√≥licas se re√ļnem semanalmente, falam de seus problemas, buscam solu√ß√Ķes e celebram sua f√©, n√£o somente construiriam Igreja, mas uma comunidade civil consciente, que sabe de seus direitos e os defende de uma maneira conjunta. Os seringais do Purus deixaram de ser fam√≠lias isoladas que lutam por sobreviver e se converteram em comunidades solid√°rias, com capacidade de exigir das autoridades e de reagir diante das calamidades.

Em 1994 se contratou um casal para que fizesse um trabalho mais continuado de catequese nas comunidades rurais, entre Tapau√° e Canutama. Tamb√©m se conseguiu um maior esfor√ßo e consolida√ß√£o da catequese b√≠blica e a forma√ß√£o religiosa. Tamb√©m se come√ßa a organizar, com recursos e pessoal, uma Pastoral da Terra que paliasse os problemas para a sobreviv√™ncia econ√īmica destas pequenas comunidades. Concretizaram-se as den√ļncias contra os abusos na propriedade da terra, e as autoridades civis olharam de maneira mais consciente nestes habitantes dos munic√≠pios.

Também influiu a migração rural e o esvaziamento da população nos afluentes; bairros inteiros surgem em poucos anos sem uma mínima infraestrutura, e as famílias passavam de ter algo de cultivo nas praias, a caça ou a pesca, a não ter nenhuma ocupação. O positivo estava na inclusão das crianças no sistema educativo e a atenção sanitária.

Pelo contrário, também nestes anos ganham meios e recursos as empresas que, vindas de fora, depredavam abertamente os recursos naturais. A paróquia denunciou o desmatamento entre os rios Tapauá e Cunhuã, que prejudicava gravemente a vida dos povos indígenas, assim como a presença de peixeiros estranhos que esvaziavam os lagos e lagoas de todas e qualquer espécie.

Equipe de atenção aos Zuruahã. A esquerda o agostiniano recoleto Miguel Pérez durante uma das convivências com os indígenas recem contactados.


Celebração comunitária rural em Mapixi, Tapauá.

Nestes primeiros anos a Prelazia cria duas equipes volantes, uma integralmente para os rios Tapauá e Cunhuã, com dois religiosos de Lábrea que também atendem e supervisionam a relação com a recém-descoberta tribo Zuruahã; e outra equipe se dedica somente ao Purus.

Em 2005 se funda a Cooperativa de Produtores Agr√≠colas de Tapau√°, com ajuda estatal. Por um acordo, os agricultores vendem sua produ√ß√£o ao Governo, que o destina a institui√ß√Ķes de benefic√™ncia. O Centro Esperan√ßa de Tapau√° recebe desde ent√£o melancias, mangas, banana e um apreciado fruto local, a pupunha.

A zona rural é um mundo muito diferente do urbano, com sua própria vivência do tempo, do calendário; uma cultura isolada e economia de sobrevivência centrada no cultivo das praias e pesca nos rios, com uma priorização de necessidades muito distinta a do resto dos seres humanos. Algo disto se observa nesta desobriga contada por um dos religiosos, Nicolás Pérez-Aradros:

“Comecei a tomar os dados [para os batizados] √†s sete da manh√£: Tinha que me armar de paci√™ncia. Duas vezes vieram duas m√£es a dar-me os dados de seus respectivos filhos. Uma delas ia batizar a quatro filhos, um por ano, pois fazia quatro anos que n√£o vinha um sacerdote; a outra mulher ia batizar duas. Pois bem, tanto a uma com a outra resulta que o mesmo ano e em menos de seis meses haviam tido dois filhos em datas diferentes. Ent√£o tinha que corrigir o entorto e armar-me de paci√™ncia. Se era o pai que ia dar os dados, n√£o sabia o nome completo de sua mulher; se vinha a mulher, vice-versa. Lembro que, ao perguntar a uma senhora quando nasceu seu filho, ela me disse: ‚Äėum dia que chovia muito‚Äô; e outra: ‚Äôuma sexta feira‚Äô. Para rir, mas √© ver√≠dico”.


Anos depois, outro missionário relatava sua particular experiência deste modo:

“O processo de incultura√ß√£o passa por romper muitos esquemas, por admitir uma s√©rie de valores que, para n√≥s, n√£o s√£o tanto, e para viver segundo uns princ√≠pios e interesses completamente diferentes. Em certa ocasi√£o, num seringal de tr√™s casas, depois de cumprimentar a fam√≠lia, me pus a conversar com o dono da casa. Vendo que entravam e saiam v√°rias crian√ßas, perguntei quantos filho tinha. O pai ficou pensado e, um tanto perplexo, respondeu que n√£o sabia. Chamou a sua mulher e lhe perguntou quantos filhos tinha; ela respondeu que sete, tr√™s homens e quatro mulheres. Ent√£o ele repetiu a resposta, todo feliz e satisfeito porque sua mulher sim sabia essa resposta dif√≠cil”.


Talvez uma das melhores descri√ß√Ķes da aten√ß√£o pastoral √† popula√ß√£o rural foi feita pela irm√£ Cleusa, Mission√°ria Agostiniana Recoleta, m√°rtir da causa ind√≠gena assassinada em 1985. Foi uma das pioneiras das equipes dedicadas aos ribeirinhos:

“Valeu a pena ver de perto, sentir e compartilhar a vida sofrida e cotidiana de nossos irm√£os, atrav√©s dos rios, praia, barrancos e centros distantes da sede do munic√≠pio. Quanta injusti√ßa! Onde fica o respeito aos direitos humanos, rodeados de fome, enfermidades, analfabetismo, explora√ß√£o dos mais necessitados, brancos ou √≠ndios‚Ķ? E a evangeliza√ß√£o? Certamente n√£o basta o m√°ximo que se pode fazer num s√≥ dia. Por isso a preocupa√ß√£o com os dirigentes atuantes em algumas comunidades. Pelo caminho meditamos sobre a viabilidade de pequenos projetos, provis√≥rios e com volunt√°rios, atrav√©s do Purus. Pastoral das Curvas? Sonho? Fidelidade √† miss√£o e desejo de ser √ļtil aos irm√£os, pois √© necess√°rio que Ele reine”.


A vida nas comunidades rurais é humilde e sem comodidades. Família da comunidade de Tauamirim.

Desde os anos 80 todas as par√≥quias da Prelazia distribuem, no in√≠cio de cada ano, em todas as comunidades rurais, um roteiro escrito com as celebra√ß√Ķes, catequese, pequenas historias para reflex√£o de problemas e outros temas formativos. Serve para que os l√≠deres saibam o que dizer e como atuar na comunidade.

Atualmente a par√≥quia conta com uma equipe especializada na aten√ß√£o pastoral √† zona rural, formada por um dos religiosos, uma mission√°ria das Oblatas da Assun√ß√£o, um comandante do barco e leigos comprometidos. A frequ√™ncia tem aumentado notavelmente frente a antiga desobriga anual: h√° mais visitas de forma√ß√£o, outras com equipes itinerantes dedicados √†s crian√ßas, √† sa√ļde ou a defesa da terra, celebra√ß√Ķes das festas dos padroeiros.

O or√ßamento para tudo isto vem dos projetos financiados por entidades cat√≥licas como Misereor ou Adveniat, por ONGDs como as agustino-recoletas Haren Alde ou A Esperan√ßa ou programas p√ļblicos com o apoio da Comiss√£o de Miss√Ķes e Desenvolvimento Social da Prov√≠ncia de S√£o Nicolau de Tolentino. O esfor√ßo pastoral e econ√īmico √© grande, mas tem permitido uma presen√ßa muito mais constante e efetiva no interior.

Historia e atualidade da Paróquia de Santa Rita
Grandes períodos de ausência ou solidão


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