espaŮol portuguÍs english email
√ćndice
Mission√°rios por necessidade
Mission√°rios por Lei

Missionários por herança
Século XIX
Século XX

Mission√°rios hoje
Zonas mission√°rias
Diocese de Shangqiu (Henan, Rep√ļblica Popular da China)

Ministérios missionários



Desde sua chegada, os Agostinianos Recoletos mantiveram contato com os ind√≠genas e continuaram uma longa tradi√ß√£o eclesial de defesa dos direitos dos povos ind√≠genas frente aos abusos dos conquistadores da Amaz√īnia.
Mission√°rios hoje: zonas mission√°rias. Prelazia de L√°brea (Amazonas, Brasil)
Geografia social
Povos indígenas
Na beira do Purus tiveram seu territ√≥rio natural os povos Apurin√£, Banaw√£, Deni, Hi- Merim√£, Jamamadi, Jarawara, Juma, Kanamari, Kanamati, Kaxarari, Miranha, Paumari, Zuruah√° e outros povos ind√≠genas isolados e, portanto, sem nome conhecido. S√£o em torno de 5.000 pessoas, com uma progressiva recupera√ß√£o populacional nos √ļltimos 15 anos.

Os povos Zuruahá, Hi-Merimã são totalmente isolados conservando seu sistema social e cultural. A colonização destruiu os valores culturais e religiosos do restante dos povos indígenas.

Em 1988 foi promulgada a Constitui√ß√£o Federal, que reconhece aos √≠ndios sua organiza√ß√£o, costumes, l√≠ngua, religi√£o e tradi√ß√Ķes e a demarca√ß√£o de suas terras.

A Igreja Cat√≥lica tem sido pioneira na defesa dos direitos dos √≠ndios atrav√©s do CIMI (Conselho Indigenista Mission√°rio). Seus trabalhos antropol√≥gicos e sua metodologia de fazer contato, constituem o primeiro passo para um futuro mais comprometido na defesa legal dos direitos dos povos ind√≠genas. No entanto, a maioria deles foi absorvida pela cultura ocidental. Perderam a l√≠ngua, os usos e costumes, a identidade nacional. Somente nos √ļltimos anos a legisla√ß√£o permitiu que a escola seja totalmente ind√≠gena, que parta da cultura e das exig√™ncias ind√≠genas, que lhes ensine seus direitos e os meios para defender-se, que valorize sua l√≠ngua, costumes e sabedoria popular.


Esta é a situação no ano 2011 dos 46.000 km2 das terras indígenas demarcadas na Prelazia de Lábrea:







  • O povo zuruah√£, contatado pela primeira vez no √ļltimo dec√™nio do s√©culo XX.




  • O povo apurin√£ √© maiorit√°rio dentro do territ√≥rio da Prelazia de L√°brea. Tem uma longa hist√≥ria de confronta√ß√Ķes internas. Hoje, com v√°rias demarca√ß√Ķes, tem relacionamento frequente e constante com o resto da sociedade n√£o ind√≠gena.






  • A popula√ß√£o de ribeirinhos, os habitantes de ra√ßa branca ou cabocla que ficam nas regi√Ķes do interior, e os ind√≠genas, passaram de se ver como inimigos a serem colaboradores na defesa dos direitos da terra e do trabalho. Sua mistura cultural e racial √© evidente.


    Sob essas linhas e √† esquerda: Escola ind√≠gena numa demarca√ß√£o e festa tradicional. Nos √ļltimos dez anos tem avan√ßado muito a recupera√ß√£o da cultura ind√≠gena e tem passado de estar abertamente perseguida a ser defendida e apoiada pela lei e a administra√ß√£o p√ļblica federal. Por√©m, ainda h√° um longo percorrido por fazer.


Migra√ß√Ķes sociais

Lábrea, na imagem aérea, junto ao rio Purus.


A "Festa do Sol" numa das praias perto de L√°brea, ou a Festa do Pescador em Tapau√° e outros eventos populares tentam recuperar a tradi√ß√£o cultural cabocla com a m√ļsica, a dan√ßa, e ser fonte de atra√ß√£o de turistas para a regi√£o.


O rio Purus em L√°brea. √Č o canal de comunica√ß√£o e a espinha dorsal da Prelazia de L√°brea e dos munic√≠pios que a comp√Ķem.
Não se entende a realidade humana da missão de Lábrea sem referir-se ao Nordeste de Brasil, especialmente os Estados de Ceará e Rio Grande do Norte, onde estão as raízes da maior parte de sua população. Em navios cheios de pessoas, mal alimentados e com poucos recursos, arribavam ao Purus, com o sonho de voltar ricos. Abandonados nas beiras do rio tinham que dominar uma natureza desconhecida e hostil. Sem escola, sem educação, explorados, sem possibilidade de progredir, sua vida foi uma perpétua luta.

Com o passar dos anos, a natureza inimiga foi tornando-se sua companheira. Houve a mistura com os índios e daí nasceu a raça cabocla. A maioria das pessoas guarda na memória os seus antepassados nordestinos.

O apoio de entidades externas à missão de Lábrea tem significado um aprofundado avanço no crescimento da esperança em pessoas que até então ficaram esquecidas pela sociedade e o mundo.




Organização política e social

O centro de Lábrea, com a catedral, o colégio dos maristas (atrás da catedral) e o mercado (em primeiro foco).


No primeiro plano, uma empresa madeireira em L√°brea, um dos poucos empreendimentos empresariais produtivos da regi√£o.


O mato que fica ao redor das cidades da Amaz√īnia √© fonte de ecologia, recursos naturais e riqueza; mas tamb√©m causa do isolamento social e econ√īmico da regi√£o.


Uma das primeiras fotografias de Pauini. Nascida com uma pequena estação de recolhida de borracha, a chegada dos religiosos, a instalação de uma escola e de uma paróquia significaram o primeiro embrião do que hoje é o município.


Manaus é um polo de atração para toda a população do interior do Estado de Amazonas, que acha enxergar nessa cidade capital (não sem um amplo grau de utopia, ilusão e sonhos pouco realistas) o futuro que é negado para eles na realidade de seus próprios lugares de origem.
Constitu√≠dos os munic√≠pios, come√ßou um lento e pequeno desenvolvimento baseado na depend√™ncia or√ßament√°ria do Governo Federal, em umas terras pobres, sem ind√ļstria, sem postos de trabalho, longe de qualquer lugar. O sistema social classista persiste. Os antigos donos dos seringais s√£o hoje os pol√≠ticos, com altos √≠ndices de corrup√ß√£o e uma popula√ß√£o que depende deles para quase tudo.

A “ind√ļstria” que mais postos de trabalho oferece s√£o as prefeituras: os funcion√°rios. Cada munic√≠pio pode gastar com os funcion√°rios at√© 60% de seu or√ßamento. Dar emprego √© uma forma de dom√≠nio, uma fonte de votos.

A falta de cultura e forma√ß√£o pol√≠tica ajuda a perpetuar a injusti√ßa. H√° poucos grupos civis organizados e por tr√°s, dos que existem, est√° a Igreja. H√° problemas na sa√ļde, justi√ßa, educa√ß√£o, seguran√ßa, servi√ßos p√ļblicos deficientes e de gest√£o obscura e corrupta. A viol√™ncia institucional e policial √© comum.

As poucas fam√≠lias e empresas que tem as propriedades e possuem latif√ļndios s√£o de fora; de Manaus, Paran√° ou S√£o Paulo. Elas nem pisam, n√£o sabem onde est√° sua propriedade e quais s√£o seus limites. Num estudo dos anos 90, saiu √† luz que as terras registradas oficialmente em Canutama, em nome de uns poucos donos, no caso de ser verdadeiros, obrigariam o munic√≠pio a ter dois andares!

Os grandes comerciantes imp√Ķem aos produtos, pre√ßos abusivos e incontrolados. Os alimentos b√°sicos s√£o caros; tudo √© importado, com a consequ√™ncia l√≥gica da fome, desnutri√ß√£o e mis√©ria.

A luta pela sobrevivência. Reportagem documentário emitido no programa "Povo de Deus" de Televisão Espanhola (TVE).





Os municípios
A Prelazia se divide em quatro municípios, que coincidem com as paróquias. O centro administrativo do município recebe o nome da "cidade". Estes são seus dados sócio- geográficos:

Munic√≠pio √Ārea (kms2) Altitude acima do n√≠vel do mar (m) A Manaus em linha reta (km) A Manaus em barco (km) Popula√ß√£o Urbana (2010) Popula√ß√£o Rural (2010) Total Popula√ß√£o (2010)
Tapau√° 95.394 30 400 900 10.618 8.459 19.077
Canutama 24.027 30 650 1.600 6.682 6.045 12.727
L√°brea 66.993 60 820 1.800 24.207 13.494 37.701
Pauini 42.651 100 1.400 3.000 9.264 8.889 18.153
TOTAL 229.065 ‚ÄĒ ‚ÄĒ ‚ÄĒ 50.771 36.887 87.658


Imagens de Pauini (Amazonas, Brasil).





L√°brea, Amazonas, Brasil.


Tapau√°, Amazonas, Brasil.


Pauini, Amazonas, Brasil.



O trabalho dos Agostinianos Recoletos na Prelazia de Lábrea teve consequências sociais e permitiu a algumas pessoas a possibilidade de um futuro melhor.





Os grandes desafios





A família do Purus, admirável pela sua acolhida e sentimento comunitário.




A falta de perspectiva para os mais novos tem obrigado durante anos à Igreja manter programas de formação e atenção específicos para crianças, adolescentes e jovens.
O isolamento, as dist√Ęncias, a hist√≥ria, os fatores s√≥cio econ√īmicos, pol√≠ticos e religiosos, tem marcado a fam√≠lia no Purus. Iniciam a conviv√™ncia sem se conhecer, ainda adolescentes e sem responsabilidades. √Č comum a infidelidade, o abandono, as bebedeiras, a explora√ß√£o e a viol√™ncia de g√™nero. As mulheres passam de crian√ßas a m√£es de repente; a domina√ß√£o masculina √© opressora. Mesmo assim a fam√≠lia do Purus suscita admira√ß√£o pelo seu esp√≠rito de sacrif√≠cio, de paci√™ncia, de sentido comunit√°rio, de acolhida a parentes e desconhecidos, etc.

Os jovens buscam horizontes prometedores em Manaus (Amazonas), Porto Velho (Rond√īnia) ou Rio Branco (Acre), as capitais de Estado mais pr√≥ximas. A migra√ß√£o √© tamb√©m interior, das zonas rurais para a cidade, que em 20 anos, tem dobrado sua popula√ß√£o. O censo de 2010 constatou, pela primeira vez, que nos quatro munic√≠pios √© maior a popula√ß√£o urbana que a rural. Mas nessas cidades existe a mis√©ria do subdesenvolvimento: fome, doen√ßas, mortalidade, injusti√ßas - e os v√≠cios do desenvolvimento-tr√°fico de drogas, consumismo, falta de trabalho, etc.

As doenças típicas, pelas suas características ou incidência, são a hanseníase, a malária, a hepatite, os parasitos intestinais, a leishmaniose, a pneumonia, a asma, a tuberculose e o sarampo. A morte de crianças é muito frequente.

Doentes de outro mundo. Programa sobre a extensão e tratamento da hanseníase na Prelazia de Lábrea.






  • A vida da mulher amazonense √© especialmente dif√≠cil pelo contexto social fortemente machista na qual √© desenvolvida.



    Jovem ferido por uma cobra numa perna. O clima e o mato adicionam um componente de perigo e de incidência de doenças superior a outros contextos mais saudáveis e protegidos.


  • Na calha dos igarap√©s, longe de tudo, a vida carece de comodidades e das aten√ß√Ķes dos servi√ßos p√ļblicos educativos ou sanit√°rios. A emigra√ß√£o costuma ser a √ļnica sa√≠da.



    O projeto social de casas comunitárias em Lábrea permite que muitas pessoas recém chegadas aos centros urbanos procedentes dos rios e igarapés possam contar com um lar digno, por enquanto conseguem uma fonte de ingressos mais estável.


"No coração do mato". Documentário emitido no programa "Povo de Deus" de Televisão Espanhola (TVE). (Em espanhol).












Desde os começos, os Agostinianos Recoletos fizeram grandes esforços na educação formal, até que o Estado começou a tomar conta de sua responsabilidade.

Uma cultura de mistura e mestiçagem
A cultura local √© uma simbiose de tradi√ß√Ķes, usos, mentalidade e costumes ind√≠genas e do legado cultural trazido pelos nordestinos, mission√°rios e exploradores.

A cultura ind√≠gena √© provis√≥ria. Nada √© consistente, a n√£o ser a fecundidade: n√£o h√° templos, armaz√©ns, arquitetura, escultura, pintura, t√ļmulos funer√°rios. S√£o culturas de madeira, √°gua e penas. Os povos ind√≠genas do Purus n√£o alcan√ßaram a complexidade dos incas, mayas ou astecas. Grupos de umas cem pessoas eram suficientes para satisfazer suas necessidades de forma auto-suficiente em determinado local. Depois de tr√™s anos, a terra se esgota, e t√™m que deixar tudo e partir para outro lugar que ser√°, de novo, provis√≥rio.

Quanto √† cultura nordestina, √© palp√°vel atrav√©s das festas populares (carnavais, festas juninas, festas do padroeiro), de manifesta√ß√Ķes populares de f√© e das tradi√ß√Ķes.

Pauini (Amazonas, Brasil).




Educação
Tem-se realizado muitos esforços na educação de crianças e adultos, e na formação de professores. Tanto o Estado como os Municípios tem uma infraestrutura para o ensino. Mesmo assim, tem superpopulação nas salas de aula, falta interesse dos alunos, não há continuidade com a educação superior, baixos salários e necessidade de formação acadêmica para professores.

Os mission√°rios dos primeiros tempos previram e sentiram a urg√™ncia da educa√ß√£o. J√° em 1936 abriu-se uma escola paroquial em L√°brea com 90 alunos. As Mission√°rias Agostinianas Recoletas, que chegaram em 1937, abriram o col√©gio “Nossa Senhora da Consola√ß√£o”. A Igreja fundou as primeiras escolas: “Santa Rita” e “Santo Agostinho”, em L√°brea; “Eduardo Ribeiro”, em Canutama e “Dom Jos√© √Ālvarez”, em Tapau√°.

No princípio a família agostiniano-recoleta assumiu toda a responsabilidade educativa, incluídas a escola municipal de Tapauá e o ensino em Pauini, ainda antes da fundação da cidade. A tarefa foi tão absorvente que se precisou pessoal dedicado totalmente a isso. Os irmãos Maristas de São Paulo chegaram em 1967, primeiro em Lábrea e depois a Canutama e Tapauá. Atualmente continuam em Lábrea.

A Igreja de L√°brea estimulou tamb√©m a forma√ß√£o para o trabalho, com cursos para que as amas de casa aprendessem a costurar, bordar, cozinhar, a preparar alimenta√ß√£o alternativa, fazer limpeza, etc. Tamb√©m promoveu experi√™ncias de alfabetiza√ß√£o de adultos. Atualmente, os centros de aten√ß√£o ao menor, “Centro Esperan√ßa”, oferecem forma√ß√£o semiprofissional aos adolescentes em L√°brea, Tapau√° e Pauini.

A Esperança cresce no Purus. Documentário emitido no programa "Povo de Deus" de Televisão Espanhola (TVE). Em espanhol.










  • Os investimentos em Educa√ß√£o t√™m sido importantes nos √ļltimos anos, com a adequa√ß√£o de pr√©dios e a forma√ß√£o dos professores. Por√©m, ainda existem grandes dificuldades como a massifica√ß√£o das aulas ou o baixo n√≠vel acad√™mico.



    Pequena escola da regi√£o de interior. Nas regi√Ķes mais longe das cidades dos munic√≠pios continua sem se dar um aut√™ntico esfor√ßo nas pol√≠ticas p√ļblicas educativas. Escolas, professores e alunos n√£o tem recebido ainda uma gest√£o e servi√ßos educativos p√ļblicos de qualidade.


  • O ingente trabalho educativo dos mission√°rios no passado e no presente pode se testemunhar nos nomes de muitas das escolas p√ļblicas de titularidade municipal ou estatal na atualidade.





    O Centro Esperança de Lábrea foi pioneiro nesse serviço social educativo e preventivo dos Agostinianos Recoletos na Prelazia.



  • Centro Esperan√ßa de Tapau√°. Os tr√™s Centro Esperan√ßa da Prelazia oferecem forma√ß√£o semiprofissional, apoio escolar, alimenta√ß√£o e visitas familiares de controle aos alunos.




    O Centro Esperan√ßa de Pauini tem sido o √ļltimo em receber uma nova e ampla infraestrutura que permite um trabalho muito mais adequado com os adolescentes. Institui√ß√Ķes p√ļblicas e privadas de Brasil e da Espanha tem ajudado na constru√ß√£o de infraestruturas e na manuten√ß√£o dos tr√™s centros.





E você, o que acha?

menu portada noticias reportajes agenda documentos nosotros material gr√°fico misiones escribenos intranet Entra y ver√°s
Agostinianos Recoletos. Província de São Nicolau de Tolentino. Paseo de la Habana, 167. 28036 -Madrid, Espanha. Fone: 913 453 460. CIF: R-2800087-E. Inscrita no Registro de Entidades Religiosas do Ministério de Justiça, número 1398-a-SE/B. Política de privacidade.
Busca.