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"Ainda estamos muito longe da sociedade que sonhou Cleusa, de inclusão dos pobres e justiça social"


"Ainda estamos muito longe da sociedade que sonhou Cleusa, de inclusão dos pobres e justiça social"
01-02-2018 Brasil
Cireneo Kuhn é missionário do Verbo Divino, brasileiro. Após cinco anos como missionário nas Filipinas, desde 1994 este músico, compositor e cineasta é diretor da Verbo Filmes, uma das principais mídias católicas do Brasil. Depois da estreia do documentário sobre a irmã Cleusa, missionária agostiniana recoleta assassinada na defesa dos direitos dos indígenas, queremos conhecer dele o que tem significado esse seu último trabalho documentário.
Antes da elaboração do documentário, praticamente não sabia nada, além do nome, sobre a Família Agostiniana Recoleta. O contato se iniciou a partir do pedido que recebemos de se fazer um documentário sobre a irmã Cleusa. Já ouvia o nome dela, principalmente nas celebrações dos mártires da caminhada, em Ribeira Cascalheira, MT. Não sabia, no entanto, que ela era uma missionária agostiniana recoleta.

Os primeiros contatos em relação à produção se iniciaram no final de 2016. Recebi um email da secretária executiva da SIGNIS-AL me informando sobre o projeto que tinham, junto com a REPAM (Rede Eclesial Pan-Amazônica), de se fazer uma série de documentários sobre os mártires que deram a vida pelas causa da Amazônia e de seu povo.

No email, solicitavam à Verbo Filmes para produzir um documentário sobre Cleusa, e nós aceitamos com muito prazer. A partir daí fui logo consultar o “santo google” para saber o que ele tinha a me dizer sobre a irmã Cleusa Carolina Rody Coelho.

Encontrei aí algumas coisas, mas a grande ajuda mesmo em termos de informações veio da irmã Maria Josefina Casagrande, MAR. Ela nos ajudou muito no processo de produção, providenciando materiais, indicando pessoas para as entrevistas e esclarecendo dúvidas que surgiam no processo de elaboração do roteiro.

Para as gravações, fizemos duas viagens: uma para o estado do Espírito Santo, berço da irmã Cleusa, e outra para Lábrea (AM), onde aconteceu o seu martírio. Já havia feito algumas viagens de trabalho pela Amazônia, filmando para outros documentários. Não conhecia, no entanto, a cidade de Lábrea.

Nos dias que estive por lá, juntamente com o seminarista verbita Edilson Shinozaki, pude sentir de perto as precárias condições daquela população, principalmente no que diz respeito ao saneamento básico. Não vou dizer que ali se trata de um “Brasil diferente”, pois em vários outros pontos do país podemos encontrar situações similares ou até piores.

Trata-se, sim, de uma confirmação de convicções de que os contrastes escandalosos que vemos entre ricos e pobres nesta nação revelam que ainda estamos muito distantes da sociedade sonhada por irmã Cleusa: uma sociedade de inclusão dos pobres, de partilha e justiça social.

A Igreja, nos últimos anos, tem estabelecido importantes prioridades em relação à Amazônia. Pelo menos duas Campanhas da Fraternidade deram destaque àquela região. Dessa forma, os “preconceitos” tendem a diminuir e eu percebo que há uma crescente conscientização, principalmente nas escolas, em relação ao Bioma Amazônia e a responsabilidade que todos temos pela sua revitalização e proteção.

A REPAM é uma iniciativa da Igreja Católica que tem também como um dos objetivos exatamente esta conscientização de todo o povo brasileiro e das nações aonde encontra-se a bacia amazônica (Equador, Peru e Colômbia, entre outras) para com os desafios e causas dos principais problemas da Amazônia.

Percorrer os caminhos da irmã Cleusa, durante as filmagens, foi uma experiência emocionante. Os depoimentos das pessoas que a conheceram me fizeram acreditar que eu estava, de fato, fazendo um trabalho que mereceria uma dedicação especial.

Irmã Cleusa continua viva na alma dos apurinã, no coração dos hansenianos, na caminhada das comunidades. A sua mística é comparável à dos grandes santos.

Depois de terminada a edição, eu amostrei o documentário a várias pessoas, sobretudo jovens, pedindo opinião e o parecer deles sobre o produto final. Todos ficaram encantados com o testemunho da irmã Cleusa. As características que mais ressaltaram foram: o desapego, a simplicidade, a doação de vida e o amor pelos pobres. Penso que isso resume quem foi irmã Cleusa.

Durante a edição do documentário, duas vezes eu deixei rolar algumas lágrimas. No fundo, no fundo eram lágrimas de emoção por ter o privilégio de estar fazendo um trabalho como este.

Fica para mim o desafio de continuar buscando pessoas, como Cleusa, que servem de inspiração para a minha vida e a todas aquelas pessoas que possam ter acesso aos documentários que produzo.


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