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Os primeiros anos
Difusão e Fortalecimento
O triunfo do imobilismo
A recoleção americana
Entre guerras e revoluções
Rumo à América
A plena autonomia jurídica
A Expansão pela geografia espanhola




Gestação e nascimento
Entusiasmo e fervor primitivo, 1606-1666
Rotina e enfraquecimento da própria identidade, 1666-1790
Triunfo do individualismo pastoral, 1790-1898
O século XX: entre o velho e o novo
[A província de São Nicolau de Tolentino]
O século XX: entre o velho e o novo


Igreja de Inarajan, Guam.

Após a revolução, as Filipinas perdem sua posição privilegiada dentro da ordem e passam a um discreto segundo término. A mesma província procura ansiosamente outros campos pela Espanha e América do Sul. Por alguns momentos duvida de poder continuar no arquipélago, e dá preferência aos novos ministérios, que desde 1898 iam espalhando-se pelo Panamá, a Venezuela e o Brasil. Em 1906 mais de dois terços de seus religiosos residiam nestes quatro países.
Para esta data a crise já havia ficado para trás. Tendo aberto o noviciado e recuperado a esperança, a província começava a olhar para o futuro com nova expectativa. Neste mesmo ano, após uma visita do provincial, confirma seu compromisso com o arquipélago. Porém já não será um compromisso total. A experiência tem manifestado a necessidade de diversificar o campo e, portanto, deverá continuar com os ministérios abertos em outros países.

A ordem também estava se reorganizando. E logicamente seus planos condicionam os planos da província. Em 1909, a cúria geral atribui à nova província de Santo Tomás de Vilanova os ministérios do Brasil e os conventos andaluzes, e no ano seguinte transfere à da Candelária os de Tumaco e Panamá. A província de São Nicolau fica reduzida aos ministérios da Venezuela e as Filipinas, e às casas de Monteagudo, Marcilla, São Millán da Cogolla e Ponte da Rainha (todas elas na Espanha). Estes ministérios, aos quais irão se somando os da China (1907), Inglaterra (1932), Peru (1939) e México (1941), formarão o horizonte de seus religiosos até 1948.

Catedral de Shangqiu, Henan, China.

Nas Filipinas durante as três primeiras décadas a província quase se limitou a sobreviver, contentando-se apenas em recuperar dentro do possível a situação anterior à Revolução. Quase todos os religiosos trabalham no ministério paroquial e esta exclusividade não satisfaz a todos os religiosos. Entretanto, a província não encontra uma digna mudança. Falta imaginação, experiência e decisão. Nem a disciplina comunitária nem a pastoral atravessam seu melhor momento. Contudo, pouco a pouco foram aparecendo novidades esperançadoras. Em 1910 a Santa Sé lhe confiou a Prefeitura Apostólica de Palawan, a primeira das Filipinas; em 1924 se realizou o sonho longamente cultivado de somar-se à história missionária da China. A missão de Kweiteh (hoje Shangqiu) alcançou uma especial significação. A província a atendeu com esmero, servindo com missionários abnegados e relativamente numerosos. Infelizmente, após a subida dos comunistas ao poder (1949), os missionários estrangeiros tiveram que abandonar o país. Na missão ficaram nove religiosos nativos e algumas religiosas, que continuaram fecundando a história com seu sangue e seu heroísmo.

Em 1931, após uma dolorosa visita apostólica, cai definitivamente o pecúlio legal. Em 1941 a província ingressa no campo da educação, do qual espera prestígio social, alívio econômico e, sobretudo, uma vivência mais profunda de seu ideal comunitário. Pouco a pouco os colégios vão suplantando às paróquias, transformando as ocupações e até a imagem social do recoleto. Em breve tempo —de 1950 a 1987— os recoletos se despojam de sua divisa de “missionário ou pároco de zonas marginalizadas” para se colocar a do “educador plenamente urbano”.

A inovação mais transcendental teve lugar em 1949, com a abertura do noviciado de Manila às vocações nativas. O capítulo de 1934 havia recomendado “eficazmente” a abertura de casas de formação nas Filipinas, Inglaterra e Venezuela. Nas Filipinas a recomendação não surtiu efeito até o pós-guerra mundial. E mesmo assim caberia acrescentar que o interesse pelas vocações filipinas somente ganha consistência dez anos mais tarde. Com exceção da anedótica ordenação do padre Salvador Calçado em 1945, o primeiro grupo de filipinos não chegaria ao sacerdócio até 1959. A partir desta data cresce o interesse e, logicamente, também as vocações. No final de 1997 a província contava com 144 professos filipinos.

A evolução da província na Venezuela teve um processo muito similar. Nela também prevaleceu durante vários anos o trabalho pastoral. Suas fundações aparecem envoltas em certo ar de interinidade, situadas em zonas marginais e sem programas suficientemente elaborados. O trabalho dos freis foi, em geral, muito bom. Construíram numerosas igrejas e capelas, deram novo impulso à pregação, muito descuidada então no país, e restauraram o culto e a vida cristã, infundindo novo vigor às associações existentes e criando outras novas. As mais freqüentes foram o apostolado da oração, as filhas de Maria, as conferências vicentinas, a confraria da Consolação e, sobretudo, a catequese. Também cabe destacar a dimensão missionária de seu trabalho, a pregação da palavra de Deus nos púlpitos mais prestigiosos da nação, a colaboração com a hierarquia e a generosa atenção aos leprosos de Maracaibo e Caracas.

Em 1925 a presença recoleta na Venezuela começa a pegar novos rumos. Aumenta o número de religiosos, cresce sua presença nas cidades, as suas obras elevam-se ao primeiro plano, floresce o apostolado da imprensa oral e escrita (La Madre Cristiana,1927) surge o primeiro seminário para vocações autóctones (1935) e o colégio Frei Luis de Leão (1941) abre suas portas em Caracas. Também aqui a cidade vai deslocando ao campo e as atividades educativas começam a competir com o tradicional monopólio paroquial. As fundações da Inglaterra e do Peru têm raízes similares. No início de 1932 a anarquia da República espanhola levou os superiores a procurar fora da Espanha um convento para a formação de seus estudantes. E em 1939, o medo da instabilidade política da Venezuela levou-lhes ao Peru em busca de um campo onde pudesse acolher os religiosos venezuelanos em caso de ter que sair do país.

A Morte de Santo Agostinho, Vela Zanetti. São Cristóvão, República Dominicana.

Os acontecimentos não tardariam em revelar o acerto de ambas as medidas. De 1932 a 1950, Inglaterra acolheu várias promoções de teólogos e, a partir de 1934, deu à ordem várias vocações. No Peru encontraram acolhida dois grupos de teólogos, a quem as dificuldades econômicas em decorrência da guerra mundial, impediam manter na Espanha.

Em 1974 a província se encarregou de algumas paróquias na ilha de Guam, no Pacífico. Chegou chamada pelo bispo em asas da lembrança das dezenas de recoletos que nela haviam trabalhado entre 1770 e 1908. Também pesou a conveniência de contar com um posto intermédio para os religiosos que abandonavam Filipinas rumo a Estados Unidos. Saiu quinze anos mais tarde (01.06.1989) ante a impossibilidade de consolidar sua presença numa ilha tão pequena e suficientemente atendida pelo clero secular e pelos franciscanos capuchinhos.

O último capítulo general (1998) erigiu a província de São Ezequiel Moreno com as casas que a de São Nicolau possuía nas Filipinas e Serra Leoa mais as de Linyuan e Santimén (Taiwan). A província de São Nicolau perdia a parte mais nobre de sua tradição, que durante séculos conformara o seu ser. No entanto, ao mesmo tempo, ficava livre para, de acordo com sua vocação missionária, seguir a voz do espírito que a chama para enfrentar novos rumos.