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Os primeiros anos
Difusão e Fortalecimento
O triunfo do imobilismo
A recoleção americana
Entre guerras e revoluções
Rumo à América
A plena autonomia jurídica
A Expansão pela geografia espanhola




Gestação e nascimento
Entusiasmo e fervor primitivo, 1606-1666
Rotina e enfraquecimento da própria identidade, 1666-1790
Triunfo do individualismo pastoral, 1790-1898
O século XX: entre o velho e o novo
[As Origens]
A recoleção americana

A semente recoleta, que chega à América na bagagem dos missionários, germinou na Colômbia à sombra da Virgem da Candelária. No final do século XVI o padre Mateus Delgado (1526-1631) entrou em contato com alguns ermitãos que acabavam de construir em um lugar solitário uma eremita à Virgem da Candelária e lhes aconselhou que procurassem apoio dos superiores de sua ordem. Com ele seria mais fácil garantir a sobrevivência, convertendo a eremita num convento. Inclusive, poderiam implantar nele a observância recoleta.

Deserto da Candelária, Ráquira, Colômbia.

Em 12 de agosto de 1604 um delegado do provincial tomava posse da eremita, impunha o hábito ao três primeiros aspirantes e nomeava superior o padre Mateus. Seu sistema de vida ficou codificado em um breve regulamento, construído com materiais provenientes do movimento recoleto.

Alonso da Cruz, mártir de Urabá, Colômbia.

Logo resultaram estreitos os muros da Candelária para alojar quantos desejavam abraçar o ideal recoleto. Em 1606, um de seus primeiros noviços, o padre Alonso da Cruz, acompanhou o provincial na fundação de um segundo convento em Cartagena. Seis anos depois surgia o terceiro na cidade de Panamá.

A vida destes conventos foi muito agitada. Entre 1630 e 1651 trocaram cinco vezes de dono passando de mãos calçadas para mãos recoletas e vice-versa, até que os calçados renunciaram a qualquer direito que poderiam ter sobre eles. Ao longo da contenda, os recoletos colombianos sempre procuraram o apoio dos espanhóis, com os quais sentiam-se identificados. Em 1629 se incorporaram à recoleção espanhola, embora sua filiação definitiva só se consolidaria ao finalizar a contenda.

A luta pela sobrevivência não esgotou suas energias. Em 1635 deram vida a duas casas em Bogotá e Tunja e um pouco mais tarde chegaram a Cartago (1644) e Honda, porto fluvial sobre o rio Madalena, o melhor ponto de ligação entre os conventos caribenhos e os do planalto central.

Outras fundações da Colômbia, Panamá, Equador e Venezuela não conseguiram consolidar-se. Os seus esforços tiveram maior conquista por implantar a Recoleção em Lima (Peru) e Misque (Bolívia), onde em 1617 e 1623 surgiram casas recoletas.

Durante dois séculos, os recoletos colombianos viveram uma vida tranqüila, sem altos e baixos nem notáveis relevâncias. Normalmente tinha uma média de cem religiosos, que alternavam o retiro conventual e a atividade apostólica. Participaram nas missões populares e todos seus conventos tinham igrejas muito visitadas.

Entre 1626 e 1638 empreenderam uma bonita missão entre os índios de Urabá e Dariem. A missão de Urabá terminou em 1632 com a morte violenta de três religiosos. Logo trabalharam no Chocó, na ilha caribenha de Santa Catalina, na foz do Orinoco e em Casanare, aonde chegaram em 1662.